quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Monólogo do Natal



Monólogo do Natal 
                                                                                 Aldemar Paiva

Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade, 

jogavam pedra nessa fantasia. 

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz, 

sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente 

e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou. 


Dias depois, meu pobre pai, cansado, 
trouxe um trenzinho feio, empoeirado, 
que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou: 

“É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção. 


Alegre e inocente nesse caso, 
eu pensei que meu bilhete com atraso, 
chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, 

ele partiu dando muitas voltas,
meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez. 


O resto eu só pude compreender quando cresci
e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco: 

“Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”. 


Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar
como quem não quer abandonar 
um mimo que nos deu, quem nos quer bem, 
disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”. 


Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio,
tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou

ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou. 

Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal.

Meu pobre pai doente, mal vestido, 

para não me ver assim desiludido, 
comprou por qualquer preço uma ilusão,
num gesto nobre, humano e decisivo, 
foi longe pra trazer-me um lenitivo, 
roubando o trem do filho do patrão. 

Pensei que viajara,
no entanto 
depois de grande,
minha mãe, em prantos,
contou-me que fôra preso
e como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia, 

entrou na cela e o libertou pro céu.






ALDEMAR PAIVA
Enviado por Ráuzi de Carvalho Pereira em 26/12/2012
Reeditado em 14/11/2014
Código do texto: T4053635
Classificação de conteúdo: seguro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

MENSAGEM A UM PASTOR SOLITÁRIO

Hoje deparei com uma mensagem de um companheiro; um pastor, que fiquei completamente sem palavras para dizer a ele naquele momento.

Dizia ele: “Eu queria Amigos que não deixasse para aparecer apenas em meu velório, Mas que de vez em quando me mandasse uma mensagem, ou um convite para passarmos um momento juntos ou viesse a minha casa para um jantar ou almoço, que me desse uma ligada em algum momento só pra saber como estou”.
porque penso comigo que amizades que só aparecem em velórios são amizades mortas.

Então resolvi escrever esta mensagem a ele, mas com certeza muitos pastores estão passando por situações iguais a esta. Espero que seja um lenitivo para estes meus companheiros.

Estamos num mundo midiático, onde a comunicação dos santos em suas necessidades, tanto física como espiritual tornaram muito distante, até mesmo impessoal, está faltando o calor humano, já não existe a boa conversa, a satisfação de tomar um café junto. O facebook ou o Whatsapp não é a mesma coisa. As redes sociais servem muito, como meio moderno de comunicação, mas, não substitui o contato fraterno, a oração juntos.

A solidão deste meu amigo me doeu muito, pois lembrei que já passei por momentos semelhantes a este, não só eu, mas muitos grandes homens de Deus também passaram.
Grandes homens de Deus sentiram, solidão, angustias e até profunda tristeza, vejamos os exemplos de Elias que cansou, deitou e dormiu, sentiu-se só, teve medo e fugiu.

Elias sentiu a solidão em meio às lutas e perseguições que sofreu injustamente por intermédio de Jezabel, fugiu, e se escondeu em uma caverna. Hoje muitos pastores estão solitários e escondidos em suas cavernas construídas dentro de si mesmo.

I REIS 19:4-Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.
9-Elias entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio à palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? 10-Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.

Você pode até nestes momentos fugir para o deserto, e querer assentar-se e ficar solitário, por opção ou até mesmo por abandono de seus melhores amigos.
Mas como Elias, sempre ouviremos de Deus estas palavras: O que fazes ai sai desta caverna, pois não estás só, tem alguém que preocupa com você, e não te deixa só. Este alguém é Jesus!
Mas como Deus diz em Isaias 49: 15: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti”.

Que as palavras deste meu companheiro, expressa no seu Status do facebook, nos leve a refletir sobre a importância do dialogo e da convivência interpessoal, sem esta distancia, que tem envolvido muitas famílias, outrora tão próxima. Relembro com nostalgia quando nos reunimos para aquela conversa descontraída, acompanhada de um violão e belos hinos de louvor a Deus. Ainda tenho a esperança que estes dia podem voltar, depende só de um esforço de nossa parte. Ah como eram belos aqueles dias!